segunda-feira, 20 de setembro de 2010

MAPAS - Por Raúl Antelo


PARA ALÉM DAS TORCIDAS DE FUTEBOL, UM EVENTO PARA DISCUTIR O CINEMA, A CULTURA E A LITERATURA DA ARGENTINA

Em que lugar se deu, por parte de um brasileiro, a fundação da primeira Universidade? Qual o país com maior número de traduções da literatura brasileira? Qual a cidadania da compositora que cria, em São Paulo, o primeiro laboratório brasileiro de música eletro-acústica, chegando a compor nele uma série de peças baseadas em poemas de Supervielle ou Pizarnik? Com relação a qual cultura estrangeira pretendia Mário de Andrade, em meados dos anos 20, escrever um livro, por entender que seria emblemático para compreender a própria modernização do pais? Onde se apresentou a primeira exposição de arte moderna brasileira e onde se editou o primiero estudo dedicado ao tema? Se, para responder a todas essas questões, você optou pela Argentina, acertou. Foi Fernando de Trejo y Sanabria, natural de São Francisco do Sul, quem fundou a primeira universidade do Prata, em Córdoba, no século XVI; foi Susana Baron Supervielle, aluna de Koellreutter, quem abriu o caminho eletro-acústico paulista; foi Jorge Romero Brest quem publicou, em Buenos Aires, o primeiro livro, capa dura, fartas ilustrações, ainda na década de 40, totalmente dedicado ao modernismo brasileiro, como retribuindo o gesto, inconsequente, em parte, de Mário de Andrade, vinte anos antes. Nada disso é hoje evidente, para o grande público. Por que isso acontece?





Machado de Assis nos oferece, aliás, um testemunho interessante dessas turbulentas relações entre o Brasil e a Argentina. Em meados de 1888, pouco antes da morte de Sarmiento, Machado evoca seu único encontro com o escritor argentino, o herói cultural civilizatório, e se surpreende de que “uma nação abafada pelo despotismo, sangrada pelas revoluções, na qual o poder não decorria mais que da força vencedora e da vontade pessoal”, apresentasse um espetáculo bem interessante: “um general patriota, que alguns anos antes, após uma revolução e uma batalha decisiva, fora elevado ao poder e fundara a liberdade constitucional, ia entregar tranqüilamente as rédeas do Estado, não a outro general triunfante, depois de nova revolução, mas a um simples legista, ausente da pátria, eleito livremente por seus concidadãos. Era evidente que esse povo, apesar da escola em que aprendera, tinha a aptidão da liberdade; era claro também, que os seus homens públicos, em meio das competências que os separavam, e porventura ainda os separam, sabiam unir-se para um fim comum e superior. Sarmiento chegou a Buenos Aires; o General Mitre entregou-lhe o poder, tal qual o constituíra e preservara da violência e do desânimo".

É bem verdade que Machado idealizaria um bocado quando, vinte anos depois, evocasse aquela cena, associando-a a uma nação “próspera, rica, pacífica, naturalmente ambiciosa de progresso e esplendor”, que tendo esquecido a opressão, desaprendera a caudilhagem, passando a adotar os benefícios da liberdade e da ordem. Mas é que a relação entre o Brasil e a Argentina nunca é um dado espontâneo ou imediato da vida social. Ela é uma trabalhosa e, não raro, uma atrapalhada construção simbólica, à qual não faltam, certamente, os equívocos. Até mesmo os de Machado de Assis. Isto porque as relações de representação, sobre as quais se sustenta a leitura brasileira da cultura argentina, nunca respondem a um nível secundário, a refletir algum tipo de estrutura primeira, constituída antes, fora ou além do próprio discurso. Muito pelo contrário: não existe relação de representação para além de sua própria genealogia. Portanto, as relações de representação são o espaço específico em que se constroem ambas as sociedades e, nesse sentido, a próxima realização de uma série de eventos, na UFSC, para discutir a cultura, o cinema e a literatura argentinas, pode ser uma raríssima ocasião para potencializar essas relações de representação entre os dois países, relações que são bem mais variadas e complexas do que as dos contingentes de turistas ou das torcidas de futebol, atravessados sempre, tanto uns quanto as outras, por essas relações de representação, que nada têm de objetivo ou desinteressado.

Qual a importância desse evento? É que a representação cultural argentina que se tem no Brasil (assim como a do Brasil na Argentina), nunca são subalternas ou derivadas. Não são provocadas pela brecha entre o espaço comunitário universal e o particularismo das vontades coletivas locais. Muito pelo contrário, a assimetria entre a comunidade potencial do Mercosul, último nome escolhido para nomear a continuidade supra-regional, que nos une, ao separar-nos, e as vontades coletivas em ato, é a própria fonte do jogo simbólico da modernidade, sempre dual, sempre esquivo, ora testando nossos limites, ora enfrentando-nos com nossas impossibilidades, deparando-nos tanto com nossa própria penúria imaginativa, quanto com nosso ressentimento face ao outro, que, por ser semelhante, muitas vezes ameaça. E, assim, é imperioso compreender esse desconhecido como algo singular.

Qual a singularidade da cultura argentina? A cultura argentina é, de fato, singular se por singularidade entendemos a diferença em relação a qualquer outro objeto cultural, não no sentido de ela ser uma manifestação inequívoca ou irrepetível de traços gerais, mas como um aspecto peculiar, que percebemos em resistência, ou como um excesso, em relação a qualquer outra determinação geral pré-existente. A singularidade não decorre, portanto, de um núcleo de materialidade irredutível, ou de uma contingência impenetrável, mas de uma configuração de propriedades bem mais amplas. Define uma entidade. Ultrapassa as possibilidades combinatórias, de hábito previstas pelas normas culturais. È constitutivamente impura, sempre aberta a contaminações, deslocamentos e acidentes fortuitos. Nada tem de inimitável, mas, ao contrário, uma singularidade é a mais pura impura mescla. A singularidade de uma cultura é, então, fundamentalmente imitável e mimética, porque ela produz uma série de réplicas e respostas à solicitação de uma saída para ela mesma.

À época da revolta tenentista, que marca, de fato, o alheamento de São Paulo com relação à política do resto do Brasil, Mário de Andrade imaginou uma guerra entre o Brasil e a Argentina. “Vencendo ou apanhando é bem possível que se mudasse de colorido certas partes dos mapas impressos que ensinam a geografia do universo; é possível que se fizesse muitas comemorações com muita gritaria de miserável povo inconsciente e muita gritaria de gente que se diz instruida, porém, mais besta do que um burro; é possível que se fizesse novas estátuas horrorosas e mais hinos pras coitadas das criancinhas dos grupos escolares decorarem e na certa que apareciam muitos soldados desconhecidos mortos pela pátria e que estão agora em moda. Depois? Depois, vitoriosos ou vencidos ficávamos com os mortos em roda, conhecidos, parentes, amigos, tanta gente boa, tanta gente querida morta, moça, ficávamos com uma dor muito sofrida, mais inquietações, mais abatimentos, mais amarguras, muito raciocínio panema. E uma raiva surda desses argentinos que afinal são tanto nossos irmãos que nem eu sou irmão do Manuel Bandeira, do dr. Arthur Bernardes que nem conheço e até do dr. Graça Aranha que está de mal comigo. E ficávamos com uma dívida macota mais enormissima que a de agora... E depois? Depois tudo continuava da mesma forma progredindo, progredindo, talvez mais união, talvez mais desconfiança, talvez mais consciência de nacionalidade moral, os argentinos e brasileiros vivendo, sofrendo, gozando e afinal uma quarta-feira batendo com o rabo na cerca e indo pro inferno, pro purgatório ou pro céu”.

Concretamente, portanto, a singularidade da cultura argentina não é uma propriedade dessa nação, mas um evento de singularização que ocorre na leitura que dela forja-se aqui, no Brasil. Ela não acontece fora das respostas daqueles que, como nós, com ela nos deparamos. Ela é produzida, não é dada de antemão. Sua emergência (1810?) é também o início de sua erosão, de seu desgaste. Ela, em suma, nunca está pronta, acabada. A rigor, ela não existe. Está sempre se transformando, na medida em que ativa mudanças culturais imprevisíveis.

Samuel Titã, resenhando, semana passada, na Folha de S.Paulo, o recentíssimo romance de Ricardo Piglia, Blanco Nocturno, que acaba de ser publicado e que, no colóquio da UFSC, será motivo de análise para Adriana Pérsico, apontava que o verdadeiro protagonista do texto de Piglia, a ditar, na verdade, as regras do jogo policial, é o pampa, esse espaço que se franqueia à exploração agrícola e à elaboração simbólica, em meados do século 19, com as assim chamadas "campanhas do deserto", eufemismo para nomear terríveis guerras de extermínio biopolítico das populações indígenas, que lançam as bases da inserção do país no capitalismo mundial. Nesse sentido, o mal de origem que produziu esse espaço esvaziado, essa terra roubada, legada e herdada pelo poder econômico, marca não só os personagens de Blanco Nocturno, mas cria, também, um cenário simbólico que mais parece uma ilustração da premissa ótica de Paul Klee: não se trata de reproduzir o visível, mas de tornar visível, como um alvo noturno.

O próprio Ricardo Piglia, analisando certo veio dos artistas locais por aquilo que se poderia chamar o in-existente, disse que os pintores abstratos argentinos, ativos desde os anos 40 do século 20, compreederam isso logo de início, levando a tese ao limite. Dedicaram-se a pintar os modos de ver a realidade, antes que ela mesma. As lentes, as mediações técnicas, os dispositivos puseram, assim, em crise, a subjetividade do homem natural. A arte argentina compreendeu que é preciso desconfiar daquilo que se acredita ver e, portanto, também daquilo que se sente, quando se acredita ver o que se vê. A arte argentina do século 20 pinta, filma, narra a desconfiança da visão espontânea e é carregada por isso mesmo de forte negatividade. Mas, mesmo assim, é preciso esclarecer que se poderiam reconhecer, no interior da cultura argentina, dois tipos de negatividade. Há, de um lado, uma negatividade destrutiva que, guiada por uma inequívoca paixão pela autenticidade do real, busca reconfigurar a identidade, apelando à dialética destruição-reconstrução. Mas, junto a ela, há também uma negatividade subtrativa, que busca a diferença mínima, através da distância situada no interior do próprio real. Vamos esquematizar. Alinhados pela primeira, Klee e Piglia. Marcados pela segunda, Duchamp e Aira.

Ora, tanto na exposição de fotografias captadas por Sebastián Feire e Paola Cortés Rocca, O que é um autor, como nas sessões de debate sobre cinema e literatura, será possível rearmar esse puzzle chamado Argentina. Estão aí alguns dos primeiros filmes sonoros, narrando a épica gauchesca (que Glauber Rocha, exilado do Brasil, enxertaria em um dos seus filmes) ou a emergência da cultura urbana de massas, a mesma que filmes recentes, como Histórias Extraordinárias (2009) ou Dois irmãos (2010) captam em momento de mudança e desagregação. Está o cinema político dos anos 60, como o banidíssimo A hora dos fornos, mas também o cinema pós-crise de 2001. Está o cinema cool de Cozarinsky ou de Hugo Santiago, este último narrando, a partir de roteiro de Borges e Bioy, a invasão ao imaginário país de Aquiléia, espaço em que facilmente reconhecemos o futuro da Argentina, do Uruguai, ou até mesmo do Brasil. Mas está também o cinema de sentimento, de pathos político, de Favio. Está uma curiosa adaptação de Bodas de sangue, o clássico de García Lorca, filmado em Buenos Aires em 1938, desconhecida pelos espanhóis até 2009, com a mesmíssima Xirgu, heroína do teatro catalão. E, no final do mês, com professores que vão desde o patriarca Noé Jitrik, até os mais jovens, como Gonzalo Aguilar ou Daniel Link, haverá discussões de aspectos centrais dessa dinâmica cultural: 200 anos de poesia com Jorge Monteleone, aqui conhecido pela antologia Pontes que elaborou com Heloísa Buarque de Holanda; a leitura desconstrutiva de Roberto Ferro, que estará ministrando curso na UFSC, em setembro; a singularidade de um atípico como Lamborghini, na visão de Nuria Girona, vinda de Valência, ou as derivas de literatura e revolução, segundo a professora Nouzeilles, de Princeton, autora do clássico da Routledge, The Argentina Reader. Um programa para não perder e que pode ser acompanhado através de http://www.onetti.cce.ufsc.br/simposio/index.html ou http://simposioliteraturaargentinaufsc.blogspot.com







Cena do filme “Apuntes para una Biografía Imaginaria”, de Cozarinski que será exibido dia 22/09/2010 as 16h no auditório Henrique Fontes.

Fonte: Anexo Ideias


sábado, 18 de setembro de 2010

A pauta é a Argentina! - por Maria Aparecida Barbosa

Como convidada de honra da Feira de Livros de Frankfurt – de 06 a 10 de outubro -, as atenções dos eventos e debates em toda a Alemanha se estendem e contemplam vários segmentos culturais argentinos, conforme reza a tradição. Uma ilustração do ávido interesse multicultural pelo país-tema em 2010 é o Festival Cinematográfico de Hamburg que elegeu o cinema argentino a atração do ano.

Os autores argentinos contemporâneos constituem o destaque do artigo de Paul Ingendaay para o “FAZ - Frankfurter Allgemeine Zeitung”, que se detém longa e seriamente no trabalho de Alan Pauls, Samanta Schweblin, Martín Kohan e Martín Caparrós. O crítico atesta que a “nova literatura argentina sai bem-sucedida da sombra dos mestres”.

Sob o tema “Cultura da tradução – tradução da cultura”, a revista “Humboldt” nr. 10, do Goethe-Institut, dedicou vários artigos ao intercâmbio bilateral Argentina-Alemanha, conferindo relevo às atividades do mundo editorial. É o caso de “O Tormento da Seleção”, através do qual Michi Strausfeld admite impasses, ao mesmo tempo apresenta critérios e argumentos das opções concernentes à organização da antologia de textos argentinos Lyrik, Prosa & Essays von 45 argentinischen Autorinnen & Autoren in deutscher Erstübersetzung (lírica, prosa & ensaios de 45 autoras e autores argentinos em primeira tradução ao alemão).


E a revista semanal “Der Spiegel” reserva a crítica literária de 06 de setembro à publicação de Verschwunden, concebida a partir do projeto fotográfico “Ausencias”, de Gustavo Germano que é radicado na Espanha. Textos sobre o período ditatorial 1976-83 alinhavam o livro composto de 15 conjuntos de fotografias: à esquerda uma constelação de casal, familiares ou amigos e, à direita, com arranjo quase idêntico, a foto atual respectiva, na qual faltam as vítimas da ditadura argentina.

Fotos do projeto "Ausências" de Gustavo Germano. Para outras informações e fotos, acesse AQUI.






Alejandra Pizarnik


Alejandra Pizarnik será tema da palestra de Daniel Link: Biblioteca Pizarnik

Dia 01/10/2010 as 16:30h

Texto Lecturas de Pizarnik, de Daniel Link


Obras de Alejandra Pizarnik

Textos de Extracción de la piedra la locura (Buenos Aires, Sudamericana, 1968)

Cantora nocturna

Joe, macht die Musik von damals nacht...

La que murió de su vestido azul está cantando. Canta imbuida de muerte al sol de su ebriedad. Adentro de su canción hay un vestido azul, hay un caballo blanco, hay un corazón verde tatuado con los ecos de los latidos de su corazón muerto. Expuesta a todas las perdiciones, ella canta junto a una niña extraviada que es ella: su amuleto de la buena suerte. Y a pesar de la niebla verde en los labios y del frío gris en los ojos, su voz corroe la distancia que se abre entre la sed y la mano que busca el vaso. Ella canta.

a Olga Orozco

Privilegio

I

Ya perdido el nombre que me llamaba,
su rostro rueda por mí
como el sonido del agua en la noche,
del agua cayendo en el agua.
Y es su sonrisa la última sobreviviente,
no mi memoria

II

El más hermoso
en la noche de los que se van,
oh deseado,
es sin fin tu no volver,
sombra tú hasta el día de los días

Fragmentos para dominar al silencio

I

Las fuerzas del lenguaje son las damas solitarias, desoladas, que cantan a través de mi voz que escucho a lo lejos. Y lejos, en la negra arena, yace una niña densa de música ancestral. ¿Dónde la verdadera muerte? He querido iluminarme a la luz de mi falta de luz. Los ramos se mueren en la memoria. La yacente anida en mí con su máscara de loba. La que no pudo más e imploró llamas y ardimos.

II

Cuando a la casa del lenguaje se le vuela el tejado y las palabras no guarecen, yo hablo.

Las damas de rojo se extraviaron dentro de sus máscaras aunque regresarán para sollozar entre flores.

No es muda la muerte. Escucho el canto de los enlutados sellas las hendiduras del silencio. Escucho tu dulcísimo llanto florecer mi silencio gris.

III

La muerte ha restituido al silencio su prestigio hechizante. Y yo no diré mi poema y yo he de decirlo. Aun si el poema (aquí, ahora) no tiene sentido, no tiene destino.

Estar

Vigilas desde este cuarto
donde la sombra temible es la tuya.

No hay silencio aquí
sino frases que evitas oír.

Signos en los muros
narran la bella lejanía.

(Haz que no muera
sin volver a verte.)


Las promesas de la música

Detrás de un muro blanco la variedad del arco iris. La muñeca en su jaula está haciendo el otoño. Es el despertar a las ofrendas. Un jardín recién creado, un llanto detrás de la música. Y que suene siempre, así nadie asistirá al movimiento del nacimiento, a la mímica de las ofrendas, al discurso de aquella que soy anudada a este silenciosa que también soy. Y que de mí no que demás que la alegría de quien pidió entrar y le fue concedido. Es la música, es la muerte, lo que yo quise decir en las noches variadas como los colores del bosque.


Textos de La Condesa sangrienta - (Bs As, Lopez Crespo Edit., 1971)


El criminal no hace la belleza;

él mismo es la auténtica belleza.
Sartre



Valentine Penrose ha recopilado documentos y relaciones acerca de un personaje real e insólito: la condesa Báthory, asesina de 650 muchachas.

Excelente poeta (se primer libro lleva un fervoroso prefacio de Paul Eduard), no ha separado su don poético de su minuciosa erudición. Sin alterar los datos reales penosamente obtenidos, los ha refundido en una suerte de vasto y hermoso poema en prosa.

La perversión sexual y la demencia de la condesa Báthory son tan evidentes que Valentine Penrose se desentiende de ellas para concentrarse exclusivamente en la belleza convulsiva del personaje.

No es fácil mostrar esta suerte de belleza. Valentine Penrose, sin embargo, lo ha logrado, pues juega admirablemente con los valores estéticos de esta tenebrosa historia. Inscribe el reino subterráneo de Erzébet Báthory en la sala de torturas de su castillo medieval: allí la siniestra hermosura de as criaturas nocturnas se resume en una silenciosa palidez legendaria, de ojos dementes, de cabellos del color suntuoso de los cuervos.

Un conocido filósofo incluye los gritos en la categoría del silencio. Gritos, jadeos, imprecaciones, forman una "sustancia silenciosa". La de este subsuelo es maléfica. Sentada en su trono, la condesa mira torturar y oye gritar. Sus viejas y horribles sirvientas son figuras silenciosas que traen fuego, cuchillos, agujas, atizadores; que torturan muchachas, que luego entierran. Como el atizador o los cuchillos, esas viejas son instrumentos de una posesión. Esta sombría ceremonia tiene una sola espectadora silenciosa.


LA VIRGEN DE HIERRO

Había en Nuremberg un famoso autómata llamado "la Virgen de hierro". La condesa Báthory adquirió una replica para la sala de torturas de su castillo de Csejthe. Esta dama metálica era del tamaño y del color de la criatura humana. Desnuda, maquillada, enjoyada, con rubios cabellos que llegaban al suelo, un mecanismo permitía que sus labios se abrieran en una sonrisa, que los ojos se movieran.

La condesa, sentada en su trono, contempla.

para que la "Virgen" entre en acción es preciso tocar algunas piedras preciosas de su collar. Responde inmediatamente con horribles sonidos mecánicos y muy lentamente alza los blancos brazos para que se cierren en un perfecto abrazo sobre lo que está cerca de ella ---en este caso una muchacha---. La autómata la abraza y ya nadie podrá desanudar le cuerpo vivo del cuerpo de hierro, ambos iguales en belleza. De pronto, los senos maquillados de la dama de hierro se abren y aparecen cinco puñales que atraviesan a su viviente compañera de largos cabellos sueltos como los suyos.

Ya consumado el sacrificio, se toca otra piedra del collar: los brazos caen, la sonrisa se cierra así como los ojos, y la asesina vuelve a ser la "Virgen" inmóvil en su féretro.


Para acessar maiores informações e outros textos: Solo Literatura

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Cinema e biblioteca - por Raúl Antelo


Cinema e biblioteca

Em 1894, na rua Florida, na altura do 300, realizou-se a primiera sessão de "kinetoscópio" de Edison. Mas a primeira projeção pública da invenção de Louis e Auguste Lumière aconteceu a 18 de julho de 1896 no Teatro Odeón de Buenos Aires, organizada pelo empresário dessa sala, Francisco Pastor, e pelo jornalista Eustáquio Pellicer. Entre os filmes exibidos estava “A chegada do trem”, dos Lumière, que "provocó el pánico entre algunos espectadores de la tertulia alta, uno de los cuales al ver la locomotora que avanzaba se lanzó a la platea, lastimándose".

Pouco depois, o dr. Alejandro Posada filma, no Hospital de Clínicas, da Universidade de Buenos Aires, uma operação cirúrgica, que exibe em suas aulas. Nesse meio tempo, um comerciante, o belga Enrique Lepage, já importava filmadoras e projetores, vendidos em sua loja de Bolívar 375, entusiasmando, de resto, dois de seus funcionários, o francês Eugenio Py e o austríaco Max Glücksmann, leitores dos catálogos das casas européias.

Em setembro de 1897, o já citado Eustáquio Pellicer, um dos fundadores, aliás, das revistas Caras y Caretas e Fray Mocho, junto a outros dois pioneiros, Manuel Devoto e Santiago de Tojar, registram o estereobioscópio, que recebe a patente número 2172.

El significado etimológico de la palabra que sirve de título al aparato de nuestra invención expresa el objeto a que se destina, es decir, a la presentación de imágenes animadas y con relieve. El estereóscopo primero, y más tarde el kinetóscopo de Edison y el cinematógrafo de Lumière, han dado a conocer separadamente los fenómenos ópticos de fotografía en relieve, animada o en movimiento. Nuestro Estereobioscopio resuelve el problema de presentar reunidos ambos efectos de ilusión óptica con gran ventaja sobre los otros aparatos, pues si a los estereóscopos agrega el atractivo del movimiento de la escena fotográfica que presenten, a los kinetóscopos y cinematógrafos viene a perfeccionarlos1.

O primiero cine-jornal é de 1900: "Viaje del Doctor Campos Salles a Buenos Aires", filmado por Py, há 110 anos, em 25 de outubro de 1900, quando Manuel Ferraz de Campos Salles, presidente eleito do Brasil, desembarca em Bunos Aires e se abraça com o presidente Julio Argentino Roca, custodiado pelo ex-presidente Bartolomeu Mitre. Em 1900 abre o primeiro cinema, o Salón Nacional, na rua Maipú entre Lavalle e Corrientes. Mario Gallo, um italiano mestre de ópera, que chegara à Argentina em 1905, pianista de café-concertos, conhece, na cidade, um outro compatriota, Atilio Lipizzi, ex-eletricista e iluminador dos espetáculos de Leopoldo Frégoli, transformista, que costumava incluir em seus shows de magia o "fregolígrafo", ou seja, o cinema. O primeiro filme de Gallo foi "El fusilamiento de Dorrego", realizado em 1909 e exibido em 1910.

Numa página de Evocações artísticas, o grande poeta modernista, Ruben Dario, confessa:

Yo desearía que en Buenos Aires hubiese el gusto por los cortejos y las cabalgatas, artísticos cortejos y magníficas cabalgatas; que en una celebración nacional se hiciese revivir la vida antigua americana, desde los tiempos incásicos y los días de Moctezuma hasta la Independencia, y más acá aun, y que todo fuese dirigido por un artista de gusto y de saber y representado por actores hábiles; que el cuidado arqueológico e histórico, en los talantes, los tipos, la indumentaria, fuese concienzudamente guardado, y que se diese al pueblo el regalo de un hermoso espectáculo, hermoso e instructivo.

Podía también aplicarse a la reproducción artística del pasado al método del barón de Kanzler. La fotografía, las proyecciones, son hoy un elemento admirable en las conferencias. Para la composición, baste con señalar las verdaderas obras que dejó el malogrado Ayerza. Falta, pues, nada más que un alguien capaz, por ejemplo, que emprenda la tarea. Y si se aplica el cinematógrafo, tanto mejor. ¿No dicen que el pericón nacional causó gran sensación en la Corte romana y en el Palacio de Madrid? ¿Qué sería, con nueva vida, la pompa de un Huaino Capac, una fiesta azteca, una carga de caballería en tiempo de San Martín, o una noche de terror en tiempo de Rosas? Luego, para final, presentación del progreso moderno2.

Em 1927, o futuro diretor de cinema León Klimovsky, a essas alturas crítico de cinema e de jazz, organiza, em Buenos Aires, as primeiras exibiciones de cinema artístico, numa biblioteca chamada «Anatole France». Um ano depois cria-se o “Cine-Club de Buenos Aires”. Aderem vários intelectuais, dentre eles, Jorge Romero Brest, Horacio Cóppola, Ulises Petit de Murat, Jorge Luis Borges, José Luis Romero, Néstor Ibarra, Guillermo de Torre e César Tiempo. As projeções começaram, em 1928, na sociedade Amigos del Arte, na rua Florida, onde funcionaria a galeria Van Riel. Foi Amigos del Arte que auspiciou a visita de Federico García Lorca em 1933.

A revista literária Nosotros (Buenos Aires, n.º 247, dez, 1929), documenta a primeira temporada do Cine-Clube Buenos Aires, em Amigos del Arte. Entre 21.8.1929 e 27.11.1929, em quinze sessões, projetaram-se os seguintes filmes: Primitivos de 1905-1906, El gabinete del doctor Caligari (Robert Wiene), Cazadores de almas (Josef von Sternberg), La noche de San Silvestre (Lupu Pick), La leyenda de Gasta Berling (Mauritz Stiller), El acorazado Potemkin (S. M. Eisenstein), Octubre (Eisenstein, síntesis), El fin de San Petersburgo (V. I. Pudovkin, síntesis), Iván el Terrible (Yury Tarich), La sexta parte del mundo (Dziga Vertov), La aldea del pecado (Olga Preobajenskaia), Sinfonía metropolitana (Walter Ruttmann), , Juanito Pocacosa (Harry Langdon), La estrella de mar (Man Ray), Entreacto (René Clair), filmes de Chaplin e La pasión de Juana de Arco (C. T. Dreyer), interpretada por Mme Falconetti, que morreria em Buenos Aires vinte anos depois, como narra Cozarinsky em Boulevards du crépuscule.

O primeiro número da revista Sur, em 1931, inclui a propaganda do novo Cine-Clube.


1 apud CANETO, Guillermo et al. - Historia de los primeros años del cine en la Argentina (1895-1910). Buenos Aires, Fundación Cinemateca Argentina, 1996, p. 47-8.

2 DARIO, Rubén – “Evocaciones artísticas” in Páginas de arte, Obras Completas. Madrid, Afrodisio Aguado, 1950, tomo I, p. 651-2.


Fotos da exposição "Milongas" de Sebastián Freire em Roma, ocorrida entre 08/09/2010 e 19/09/2010

Milongas
Por Edgardo Cozarinsky

"Quizá ninguna música se preste como el tango a la ensoñación. Entra y se posesiona de todo el ser como un narcótico. Es posible, a su compás, detener el pensamiento y dejar flotar el alma en el cuerpo..." (Martínez Estrada
).

Bailar el tango pone en escena la fuerza tenaz, inexpugnable del deseo. Pasos, actitudes, abrazo y ojos cerrados permiten vivir una ficción, ser personajes de una efímera novela que sin embargo expresa algo verdadero, no por imaginario menos auténtico.

En la pista, aun al más inseguro principiante, lo que la música le sugiere, se lo sugiere a él solo. En la milonga, desde el arranque nomás, baile y bailarín son indiscernibles.

Es lo que captan las espléndidas fotografías de Sebastián Freire: el movimiento antes que la pose, la expresión ausente o reconcentrada, nunca la máscara de escena; aun el detalle de larga proyección connotativa: como ese par de zapatos de calle, vida cotidiana abandonada debajo de una mesa por la mujer que ha calzado sus zapatos de tango para abordar, en la pista, su vida imaginaria.

Freire ha fotografiado, a las tres de la mañana, en algún salón de barrio, a la pareja mayor, severamente vestida, deslizándose sin ornamentos por la pista, y a su lado, a la pareja joven, él en zapatillas que no podrán "sacarle viruta al piso", ella en jeans, luciéndose en las más arduas figuras que un profesor les ha enseñado.

Esas parejas no se excluyen. En su coincidencia, una misma madrugada, a pocos metros de distancia, exaltados por una misma música, se resume la gloria de la milonga actual. Es lo que Freire ha sabido capturar con su cámara.

Fonte: http://fotografiasdemilongas.blogspot.com/ (no blog se pode ver as bélissimas fotos de Sebastián Freire)













quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Exposição "Realidade e Utopia"

Tomás Espina, S/P & S/T, fotografía, 140 x 200 cm., 2001


DE LA CARCOVA, Ernesto
Sin pan y sin trabajo, 1894 Técnica/ Material: Oleo , Soporte: Tela
125,5 cm x 216 cm


Em 2010, a Argentina será o pais homenageado na Feira de Frankfurt. Como complemento à Feira, a Akademie der Künste de Berlím inaugura, no dia 1 de outubro, a exposição “Realidade e Utopia”. Produzida pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina, no marco de COFRA 2010, a exposição foi curada pela Profa Dra Diana Wechsler, da UNTREF, que nos visitou recentemente. “Realidade e Utopia” discute a pervivência de determinados imaginários na arte do país, chamando a atenção para a constituição de um acervo de imagens específico, uma biblioteca insaciável.


Carlos Alonso, La censura, acrílico sobre tela, 200 x 200 cm.. 1969

Para maiores informações:

http://www.onetti.cce.ufsc.br/simposio/textosinvitados/textosdiv/realidad

ou

http://www.frankfurt2010.gov.ar/es/node/48

Colóquio Internacional Tempo e Movimento - Projeção do Filme "The Players versus Ángeles Caídos"

Segunda-feira 4 de outubro de 2010

17h30 SALA MACHADO DE ASSIS

Projeção do Filme de Alberto Fischerman:

The players versus ángeles caídos (1969) 1h24

Informações técnicas sobre o filme - Fonte Cine Nacional


Dirección: Alberto Fischerman

Co-dirección: Néstor Paternostro, Raúl de la Torre, Ricardo Becher y Juan José Stagnaro

Guión: Alberto Fischerman

Fecha de Estreno: 11 de junio de 1969

Intérpretes: Luis Barrón, Leonor Galindo, Gioia Fiorentino, Néstor Davio, Clao Villanueva, Jorge Cedrón, Edgardo Lusi, Roberto Mosca, Cristina Plate, Marta Campana, Edgardo Suárez, Fernando Arce,

Equipo Técnico

Producción: Fernando Arce

Fotografía: Juan Carlos Desanzo

Montaje: Oscar Souto

Música: Roberto Lar

Montaje de sonido: Bebe Kamín


Leia o texto THE PLAYERS VERSUS ÁNGELES CAÍDOS de Edgardo Cozarinsky

Colóquio Internacional - tempo e Movimento - Palestra: "Espectrografias" - Prof. Dr. Raúl Antelo Projeção do Filme "Bodas de sangue"

dia: 06/10/2010

18h30 AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES

Palestra: "Espectrografias" - Prof. Dr. Raúl Antelo


Projeção do Filme de Edmundo Guibourg:

Bodas de sangre (1938) 1h44




AÑO: 1938
Género: Drama
Director: Edmundo Guibourg
Guinista: Edmundo Guibourg

Intérpretes:

Margarita Xirgu, Pedro López Lagar, Enrique Álvarez Diosdado, Amalia Sánchez Ariño, Amelia de la Torre
Fonte: Cinemateca Nacional

Sinopse

Obra cumbre de la producción trágica del dramaturgo y poeta andaluz Federico García Lorca. Retrato y representación magistral del universo trágico de la vida. En Bodas de Sangre, Lorca consigue poner en escena, con una maestría prodigiosa, el acontecer de la vida andaluza de su época, siempre con una fidelidad incuestionable al acontecer cotidiano de la España de los treinta. Haciendo gala de un dominio incomparable de los recursos dramatúrgicos y poéticos en boga, Lorca nos ofrece en Bodas de Sangre, una tragedia dividida en tres actos y siete cuadros. La España rural prerrevolucionaria es el escenario que ambienta la historia de una joven pareja que está a punto de contraer matrimonio, el cual se ve frustrado por la reaparición de un soterrado y ardoroso amor que existía entre la joven novia y su antiguo y primer pretendiente. Es también una historia de viejas rencillas familiares, la familia del joven novio había sido víctima de la pérdida del padre y el hijo mayor en manos de los Félix (familia del joven raptor de la novia, Leonardo), lo cual engendra en la madre un rencor-odio hacia todo lo relacionado con dicha familia, y un temor-odio hacia cualquier arma que atente contra la vida del hombre. En Bodas de Sangre se ven representados a cabalidad todos los arquetipos sociales de la España rural, no sólo los personajes están en escena, sino que es observable un diálogo entre cada uno de esos arquetipos, la disputa esencial entre el joven novio y Leonardo es a la vez la dicotomía amor puro e ingenuo versus amor tórrido y lascivo, y también es la dicotomía ricos-pobres. Los personajes principales y secundarios son la sinfonía que en el fondo acompaña la antiquísima batalla que libran las diferentes formas de amar, y de vivir en el mundo rural: la atención y observancia a las normas morales y tradicionales por un lado, y por el otro la disposición a vivir escuchando y obedeciendo los designios y caprichos del corazón y el instinto. Cuando llega el momento de la boda, la novia comienza a presenciar el reavivamiento de la llama de un viejo amor que nunca se extinguió, y en un arrobo de amor enceguecedor, una vez consumada la ceremonia, accede a escaparse con Leonardo. Por su parte, el joven novio, herido y ultrajado, decide darles alcance y así resarcir no sólo el daño del que fue objeto, sino también acallar el clamor de venganza de su familia por el asesinato de su gente; y con el presagio de la luna, y cuchillo en mano, ambos jóvenes mueren ultimados por ellos mismos, en una noche teñida de sangre.



Leia o texto LORCA, POBRE DE NÓS, de Mario de Andrade sobre "Bodas de Sangue"


Foto rara. Garcia Lorca junto a Lola Membrives na estréia da peça, no Teatro Avenida de Buenos Aires em outubro de 1933. Lola Membrives e Margarita Xirgu se detestavam. Bandos políticos opostos. E a estrela do filme foi a catalã e não a madrilenha.


Capa da primiera edição de Bodas de sangue

Julio Cortázar

Júlio Cortázar será tema de duas palestras no Simpósio Internacional de Literatura Argentina:

No dia 29/09/2010 as 15:45h: "Papéis esperados: Julio Cortázar redivivo" do Professor Jorge Wolff.

No dia 01/10/2010 as 16:30h: "Paraísos inacessíveis: de Mallarmé a Cortázar" da Professora Ana Luiza Andrade.

Um dos autores argentinos mais lidos no Brasil também será tema das comunicações de Acácio Scoss: "Rayuela e leitor: nova mirada", bem com a comunicação de Ana Carolina Cernicchiaro "Cortázar e a perspectiva de uma devir-axolotl", ambas as comunicações no dia 30/09/2010 as 14:30h.

Informaçoes sobre a biografia e a bibliografia de Júlio Cortázar encontram-se no site
http://www.juliocortazar.com.ar/



Primeira parte de uma longa entrevista que está dividida em 13 partes. A entrevista completa você pode assistir AQUI


Julio Cortázar narrando trecho de Histórias de Cronópios e de Famas

Simpósio Internacional de Literatura Argentina - Lançamento de Livros

No dia 29/10/2010 haverá o lançamento de uma série de livros na Livraria Livros e Livros (para maiores detalhes acesse AQUI). Dentre os livros a serem lançados está Maria com Marcel: Duchamp nos trópicos de Raúl Antelo.




Revista Margens/Márgenes (Belo Horizonte-Buenos Aires etc). Dir.: Silviano Santiago.


Reseña: Por Daniel Link
Universidad de Buenos Aires

Raúl Antelo. María con Marcel. Duchamp en los trópicos. Buenos Aires, Siglo XXI, 2006 (328 págs., ISBN 987-1220-41-3)

María con Marcel. Duchamp en los trópicos se abre con una frase contundente pero que debe ser corregida: “Este libro pretende ser la reconstrucción de un sistema de saber, un conjunto heterogéneo, cuando no abiertamente misceláneo, de objetos culturales” (pág. 9). Es verdad que el libro de Raúl Antelo pretende eso (reconstruir un sistema de saberes y, además, un conjunto heterogéneo de objetos culturales). También es cierto que, minuciosamente, lo consigue; no es sorprendente para quienes han venido siguiendo la biografía de este libro en sucesivas apariciones públicas (artículos o intervenciones en congresos). Pero María con Marcel reconstruye, además, un estado de la imaginación de y sobre América Latina —o mejor dicho, dos: el que se corresponde con los instantes que el libro evoca y reconstruye, y el que se corresponde con el instante que nos envuelve y nos arrastra (el presente).

María con Marcel es un libro de teoría, un libro de historia y, también, una ficción crítica de una ambición pocas veces vista (y pocas veces conseguida) en el contexto de los estudios latinoamericanos.

A lo largo de siete capítulos (la inteligencia de cada uno de los cuales sólo encuentra competencia en la abrumadora densidad que los sustentan), Raúl Antelo suministra una imagen, pero además la maqueta del aparato óptico que ha servido para (re)producirla. Su interés por Duchamp se revela así muy diferente del interés oportunista que puede leerse en otros trabajos que se han dedicado al período sudamericano del pálido maestro del arte no retiniano. Casi podría decirse que interesarse por Duchamp es para Antelo al mismo tiempo una experiencia íntima, teórica y política. Le permite decidir para si una colocación en el mundo, una política en relación con los saberes, un modo de imaginar el tiempo histórico y de definir las coordenadas del presente (de un presente) evitando, con el mismo elegante movimiento, el dogmatismo que solemos atribuir a operaciones semejantes.

Es difícil reseñar María con Marcel sin insistir en destacar sus obsesiones temáticas y formales (y el solo intento agota el espacio posible para una reseña): por un lado, que es complicado, dada la actual configuración de fuerzas culturales, sostener una versión de la modernidad latinoamericana (de una modernidad “diferencial”). Lo que Antelo va suministrando en su libro son los hitos de una arqueología según la cual “modernidad” y “América latina” se presuponen: no hay una modernidad más allá de la modernidad latinoamericana. No hay eurocentrismo, dice el libro (como antes, otras intervenciones críticas de Antelo), sencillamente porque no hay centrismo (sino excentricidad). Como América latina, la modernidad es excéntrica (y viceversa).

Lo que lleva a Antelo a sostener, naturalmente, una obsesión formal y un statement sobre el barroco y la suspensión de las contradicciones que supone (su estallido en una miríada de perspectivas, ninguna de las cuales alcanza para soportar una mirada por si misma). Si hay sentido es porque sólo se puede notar la huella de su ausencia: en el instante mismo en que miramos hacia allí el sentido ya está en otra parte. Fantasmas, fulgores entópticos, el espejo de lo imaginario, rasgado y habitado por larvas de insectos.

De las muchas perspectivas que Antelo podría haber elegido para medir la fuerza de sus convicciones (teóricas, estéticas, políticas), no es casual que elija la que (grosera, rápidamente) podemos asociar con los nombres de Antonio Candido y Ángel Rama (sobre todo del primero como apuntador del segundo).

Lo que Antelo observa sobre la perspectiva de Rama (racionalista, pedagógica, disciplinadora) es lo mismo que señala Haroldo de Campos respecto de Antonio Candido: el secuestro del barroco en la formación de la transculturación moderna (el salto modernizador como escalera a un cielo siempre imposible y no como carousel).

Es como respuesta al escándalo de ese secuestro, podría decirse, que María con Marcel ha sido escrito. Y ha sido escrito también como demostración de que una cierta pedagogía barroca es posible. Que el barroco es una pedagogía (y más específicamente, una pedagogía de la contrarreforma) ya ha sido suficientemente analizado. Una pedagogía del barroco, pues, sólo podría funcionar como una pedagogía al cuadrado, un trompe- l’oeil que, por efecto de esas circunvalaciones típicas de la historia entendida según una maqueta helicoidal (“el eterno retorno se niega, así, a someterse al orden vigente, con la disculpa de recomponer constantemente todo, pero de otro modo”), ha perdido hasta lo más característico de si: la posibilidad de engaño.

La única verdad “pedagógica” (¿neobarroca?) que María con Marcel sostiene es la necesidad de situar a la nada (no el néant, polo de una dicotomía trascendental, sino el rien de la fatiga, la disolución, en fin, el desgaste propio de un trilema) como la condición misma de posibilidad de la modernidad.

María con Marcel. Duchamp en los trópicos no es un libro fácil; es un libro decisivo, y que nuestra época, huérfana hace tiempo de maestros, necesitaba.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

COLÓQUIO INTERNACIONAL TEMPO E MOVIMENTO: IMAGENS ARGENTINAS - Sebastián Freire

O Fotógrafo Sebastián Freire participará do Colóquio Internacional Tempo e Movimento: imagens argentinas, com uma conversa sobre a mostra fotográfica "O que é um autor?".

 Cara de escritor

"¿Qué es un autor?", se preguntaron en el origen de todo los fotógrafos Sebastián Freire y Paola Cortés Rocca cuando se juntaron a pensar en un proyecto que reuniese imágenes de escritores. Después de meses de trabajo, ahí están para contestarles ellos mismos: Gabriela Bejerman, que posa exuberante y sensual como una Carmen Miranda de las letras; el mexicano Mario Bellatin, apuntando su garfio y mirando divertido a la cámara; Fogwill, con una expresión que infundiría terror en más de un infante; Sarlo, muy seria; Jeanmaire, distraído; los jóvenes narradores Oloixarac y Capelli, retaceando el rostro y mirando para abajo. Después de una recorrida por las 22 fotografías de la exposición, algo queda claro: lo que sea que es un autor, no entra en una única definición. 
Freire y Cortés Rocca reconocen cierto carácter endogámico en el corpus. Fue una decisión consciente. Ellos mismos acordaron trabajar con autores que "de manera directa o más o menos mediada" ya conocían, autores a los que admiran o con las que suelen compartir charlas y reuniones. "Nuestros retratos muestran gente que conocemos y reconocemos, pero también gente que se conoce entre sí, que ha compartido lugares de trabajo y lecturas; que está unida por la amistad, la admiración, el amor, el reconocimiento (...). Puede mirarse como puntos de una trama privada y pública, cultural y personal, que compone otro rostro posible —y colectivo— de la literatura en Argentina", dicen en el texto de presentación de ¿Qué es un autor? 
La muestra se presenta en la galería miau miau, de Palermo, cuyo director, Mariano López, también participó en el armado. "Nos juntamos por primera vez en agosto de 2009 para definir el listado. Reflexionar sobre este tema en el año del Bicentenario y de la presentación de Argentina en la feria de Frankfurt nos parecía oportuno", dice López.

En contraste

Como particularidad, la muestra no dirá qué imagen corresponde a cada fotógrafo. Aunque las diferencias, luego de un rato, se hacen evidentes: Cortés Rocca trabaja con película y usando el proceso de revelado invertido ("No estoy contra la tecnología moderna, más bien tengo cierta fascinación por lo anacrónico"). En cambio, Freire recurre a lo digital y al photoshop. "Hace un tiempo vengo trabajando con una textura muy artificial, bastante lavada. Además, mis fotos están hechas casi todas en estudio, con un fondo neutro. Son bastante íntimas, enfocan en la cara y en las manos de los escritores". Ambos coinciden en que si bien los intelectuales "muestran cierta incomodidad cuando están obligados a dejarse escrutar por la máquina, a mantenerse quietos, a soportar una luz que parece de interrogatorio", retratarlos no es más difícil que retratar a la mayoría de las personas. "Es un género difícil porque el trato con la gente es difícil. Generalmente, a todos nos cuesta estar delante de una cámara, seamos escritores o no", dice Freire. 
Si bien poco más de una veintena de intelectuales formaron parte de este primer recorte, la idea es ampliar el grupo, en vistas de una segunda exposición de la publicación de un libro. "Hay muchos más autores que queremos fotografiar. La idea es armar algo más grande: un proyecto que dé cuenta de la actualidad del campo de las letras en la Argentina y parte de Latinoamérica". 

Ficha
¿Qué es un autor?
de Paola Cortés Rocca y Sebastián Freire.

Retratos de 22 escritores. Alan Pauls, Anna –Kazumi Stahl, Ariel Schettini, Arturo Carreras, Beatriz Sarlo, Daniel Link, Dani Umpi, Edgardo Cozarinsky, Federico Jeanmaire, Fernanda Laguna, Gabriela Cabezón Cámara, Gabriela Bejerman, Guillermo Piro, Josefina Ludmer, María Moreno, Mario Bellatín, Martín Kohan, Matías Capelli, Matilde Sánchez, Pola Oloixarac, Ricardo Piglia y Rodolfo Enrique Fogwill.

Por: Cecilia Boullosa


Lo que ellos no quieren mostrar

Texto: Esteban López

Fotografiar a un escritor representa un desafío, porque se trata de alguien acostumbrado a ser leído o escuchado, pero no a ser escrutado por el ojo sin alma de la cámara. Paola Cortés Rocca y Sebastián Freire retrataron a 22 autores (entre los que se encuentran poetas, novelistas y críticos), en su mayoría argentinos, y el resultado es una muestra heterogénea y fascinante acerca de cómo se dejan ver esos seres tan reticentes y evasivos a la hora de pedirles que miren fijo y se queden quietos.

En febrero de 1969, Michel Foucault exponía en la Sociedad Francesa de Filosofía una conferencia donde a partir de la pregunta clave "¿Qué es un autor?" arribaba a un principio ético, tal vez el más fundamental de la literatura contemporánea: "¿Qué importa quién habla?". Aquella desaparición del autor que pregonaba Foucault se convirtió para la crítica en un tema dominante.

Para los fotógrafos Paola Cortés Rocca y Sebastián Freire, lo esencial no parece ser constatar tanto su desaparición, sino intentar poner de manifiesto uno de esos sitios en donde rara vez el autor ejerce su función, se corporiza, se manifiesta como tal.
Una mirada atenta permite discernir las diferencias y establecer, casi con seguridad, cuáles retratos pertenecen a Freire y cuáles a Cortés Rocca. El primero parece optar por el "corte" esperado en un retrato -por ejemplo, el de la escritora argentina Matilde Sánchez, partida al medio, sería la excepción que confirma la regla-, mientras que Cortés Rocca parece contextualizar a sus retratados, conformando un posible relato -además del hecho de que trabaja con lo que en fotografía se conoce como "proceso cruzado"-, trabajando con una cámara réflex y tratando a la película diapositiva como negativo, con la consiguiente presencia de "grano" y colores saturados; mientras que Freire lo hace con una cámara digital y prefiere el blanco y negro con detalles de color precisos y encantadores.

Sin duda, se trata de un manifiesto ético por parte de ambos el haber prescindido expresamente del retrato del escritor con las espaldas cubiertas por una biblioteca -predilección, por parte de fotógrafo y retratado-, que nunca conseguiremos explicarnos qué trata de significar, qué pretende decir.

A la hora de pensar la muestra ambos fotógrafos se propusieron establecer "un canon", propio, arbitrario y compartido, de lo que resultaron 22 nombres donde conviven generaciones, tendencias, y estéticas distintas, poniendo incluso bajo un nombre común a poetas, novelistas y críticos. Una muestra del campo intelectual a partir de una serie de retratos que no llevan firma, en un intento de los fotógrafos por manifestar que no importa quién haya sido el realizador de la foto: los retratados son esos, están ahí.

La lista completa de los fotografiados es esta: Alan Pauls, Anna-Kazumi Stahl, Ariel Schettini, Arturo Carrera, Beatriz Sarlo, Daniel Link, Dani Umpi, Edgardo Cozarinsky, Federico Jeanmaire, Fernanda Laguna, Gabriela Bejerman, Gabriela Cabezón Cámara, Guillermo Piro, Josefina Ludmer, María Moreno, Mario Bellatin, Martín Kohan, Matías Capelli, Matilde Sánchez, Pola Oloixarac, Ricardo Piglia y Fogwill.

"Los intelectuales muestran cierta incomodidad cuando están obligados a dejarse escrutar por la máquina, a mantenerse quietos, a soportar una luz que parece de interrogatorio", dicen Freire y Cortés Rocca en el manifiesto que abre la muestra. "Tal vez porque son personas acostumbradas a ser leídas o escuchadas, pero no a ser contempladas detenidamente."

Muchas de esas caras resultan familiares, pero muchas otras rara vez es posible apreciarlas fuera de ese breve período de tiempo que precede a la aparición de un libro y a las entrevistas de rigor que acompañan su salida.

Como señala Paola Cortés Rocca: "La idea inicial era tratar de retratar a gente que habitualmente no se ve". El fotógrafo siempre tiene la impresión de que debe "arrebatarles" la imagen, robársela, apropiarse de algo que el fotografiado no está del todo dispuesto a entregar sin cierta resistencia.

Sebastián Freire (1973), participó en varias muestras colectivas y realizó muchas otras individuales. Paola Cortés Rocca (1970) es filóloga y trabajó como profesora en la Universidad de Buenos Aires. Con una importante trayectoria académica, en los Estados Unidos y vuelve periódicamente a la Argentina. En colaboración con Martín Kohan escribió Imágenes de vida, relatos de muerte, donde habla del fenómeno mediático alrededor de la muerte de Eva Perón.


Publicado en la sección Cultura del diario Perfil <http://www.perfil.com/> (domingo 4 de abril).


Outras Críticas sobre a mostra

Caras bonitas


Texto: Daniel Gigena

Dos jóvenes fotógrafos capturan a 22 escritores en una galería de Barrio Norte.  


13-04-2010 |
Sebastián Freire habla “¿Qué es un autor?”, la muestra fotográfica expone junto a Paola Cortés Rocca en la galería MiauMiau.
Por P.Z.

 


Colóquio Internacional Tempo e Movimento: Imagens Argentinas

COLÓQUIO NTERNACIONAL: TEMPO E MOVIMENTO: IMAGENS ARGENTINAS

4 a 6 de outubro de 2010

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO

Segunda-feira 4 de outubro de 2010
8h30 AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Conferência de Abertura:
"Archivo, ondas de memoria, testimonio, fantasmas"
Prof. Dr. Daniel Link (Universidad de Buenos Aires)

PAUSA

10h AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Projeção dos Filmes de Albertina Carri: Restos (2010) 9'
Los rubios (2003) 1h29

PAUSA

14h30 SALA MACHADO DE ASSIS
Conversa com o fotógrafo Sebastián Freire:
O que é um autor?

15h30 SALA MACHADO DE ASSIS
Projeção do Filme de Lisandro Alonso:
Liverpool (2008) 1h24

PAUSA

17h30 SALA MACHADO DE ASSIS
Projeção do Filme de Alberto Fischerman:
The players versus ángeles caídos (1969) 1h24

PAUSA

19h00 AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Projeção do Filme de Lucas Demare:
La guerra gaucha (1942) 1h30

Terça-feira 5 de outubro de 2010

8h AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Projeção do Filme de Mariano Llinás:
Histórias Extraordinarias (2008) 4h05

PAUSA

14h SALA MACHADO DE ASSIS
Palestra:
"Introdução ao cinema argentino anômalo"
Prof. Dr. Gonzalo Aguilar (Universidad de Buenos Aires)

15h SALA MACHADO DE ASSIS
Projeção do Filme de Martín Rejtman:
Copacabana (2006) 56'

PAUSA

16h00 SALA MACHADO DE ASSIS
Palestra:
"Un pueblo angélico y sencillo. Los ensayos mitopoéticos de Leonardo Favio"
Profa. Dra. Ana Amado (Universidad de Buenos Aires)

PAUSA

18h AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Projeção do Filme de Lucrecia Martel:
Rey muerto (1995) 12'

18h20 AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Projeção do Filme de Lucrecia Martel:
La mujer rubia (2008) 1h27

Quarta-feira 6 de outubro de 2010

8h30 AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Projeção do Filme de Alejo Moguillansky:
Castro (2009) 1h25

PAUSA

10h AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Conferência:
"Por un cine bastardo: apuntes sobre el cine argentino del presente" Prof. Dr. Gonzalo Aguilar (Universidad de Buenos Aires)

PAUSA

14h30 SALA MACHADO DE ASSIS
Apresentação da Série de TV:
Desde el Sur:200 años de literatura argentina (Uma experiencia para Canal Encuentro) de María de las Mercedes Filpe (Universidad Nacional del Noroeste de la Provincia de Buenos Aires)

PAUSA

16h SALA MACHADO DE ASSIS
Projeção do Filme de Hugo Santiago:
Invasión (1969) 2h03

PAUSA

18h30 AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Palestra:
"Espectrografias"
Prof. Dr. Raúl Antelo
Projeção do Filme de Edmundo Guibourg:
Bodas de sangre (1938) 1h44

21h00 AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES
Encerramento

Mostra de Fotografia - O que é um autor?

Entre os dias 29/09 a 06/10 ocorrerá a mostra de fotografias "O que é um autor?"

Com fotos de Paola Cortés Rocca e Sebastián Freire

Maiores informações AQUI

Mostra de Cinema Argentino - Tradição e Anomalia

Mostra de cinema argentino  -  Tradição e anomalia

20 a 24 de setembro de 2010

CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO - AUDITÓRIO HENRIQUE FONTES


No Blog Mostra de Cinema Argentino você encontra informações, fotos, fichas técnicas e vídeos sobre os filmes da Mostra.


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